sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Como é que te digo
que a vontade que tenho
é da trompete do Miles
dum pouco de noite
e deste lápis?

Como é que te digo
que contigo aqui não sou capaz,
que me perturbas a vontade
e me amoleces a escrita?

Como é que te digo
que gostei hoje de ti
Mais do que em todos os outros dias?

sábado, 17 de setembro de 2011

O terramoto de 1755 em Lisboa
não foi em 1755
nem foi sequer em Lisboa.

O mar não subiu
ninguém gritou

Eu não fugi.

O terramoto de 1755 em Lisboa
trouxeste-me tu no outro dia.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Sorrisos de nada sem nada
tão grandes que neles cabia
exactamente
toda a felicidade do Mundo.

sábado, 23 de abril de 2011

Het is een trap
een beetje meer elke dag.

Het is de beste kunst.

sábado, 5 de março de 2011

Havia um pedaço de sol na tua pele
e eu fiquei contigo

sem te tocar
sem te acordar
sem que soubesses de mim
deitada com o pedaço de sol que trazias na tua pele.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Descobri que somos todos uns lamechas
quando nos tocam no ponto
(naquele ponto que juramos não ter)

Ficamos nus ridículos
hipersensíveis e tóxicos
chorões até passar.

E passa.
"Mudemos de assunto, sim?"

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

"Talvez o mundo
Não seja pequeno
Nem seja a vida
Um fato consumado
Quero inventar
O meu próprio pecado
Quero morrer
Do meu próprio veneno
Quero perder de vez
Tua cabeça
Minha cabeça
Perder teu juízo
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
Me embriagar
Até que alguém me esqueça"

[Chico Buarque]

terça-feira, 10 de agosto de 2010

O português daquele lado
tem um jeito mestiço
despudorado
sambista.

Tem Vinicius Jobim Chico Caetano e Bethânia
Tem pouca vergonha
Tem delírio e violão.

E as palavras são todas ditas.

Ninguém fala estrangeiro
mas a gente se comunica.

Por isso que se lixe o acordo
e o Antônio que continue escrevendo
no mesmo tom
abrasileirado
sujo
gostoso.

domingo, 20 de junho de 2010

Fujo mais cedo.

Deixo os meus bilhetes
as saudades debaixo de cada porta
e vou.

É uma tortura dizer adeus.

Não serei eu a entregar abraços
olhar olhos nervosos
e largar até jás mentirosos.

Tudo tão frágil.
Não. Perde-se demasiado ficando.

Por isso fujo mais cedo.
Como posso.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Quando pensei que ias soltar mais uma das tuas barbaridades
dizes-me:

"I'm the one who put the rock n roll in your life"

A última das verdades universais.

sábado, 22 de maio de 2010

Acordei com ideias de fazer uma revolução

navegar navegar


Pegar nos cravos nas bandeiras e no jeito

e fazer tudo outra vez.


Vemo-nos no Carmo

um dia destes.

terça-feira, 30 de março de 2010

Anda cá
vou fazer-te
uma canção.

A guitarra está aí
e não precisamos de flores nem lua
(patetices)

Anda cá
ouve-me desafinar
e não te rias.

Este bocadinho
cheio de dois acordes
licor
e um beijo

é toda a arte que posso
esta noite.

Anda cá.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Não será nossa
A Balada da Inocência.

Viemos nus e desfeitos
encravados em dor
entre fúrias

E atacámo-nos.
Sem choro
Sem riso
Sem grito

descontroladamente sem nada

até nos esgotarmos
até sermos outros.

Nunca será nossa
A Balada da Inocência.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Quero esconder o que não te digo
num poema
assim, cantado à primeira
num post-it sem rimas.
Disparatado.

Lê
que este poema
é o nosso
e não quer palavras.

Como tu sabes.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sem paciência para lirismos.

Quero o teu ar desleixado
o fumo que trazes
roubar-te as mãos dos bolsos

Fazer-te ficar
longe de onde és inatingível
Aqui.

Perder-me de vez.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Gosto do frio.
Gosto das luzes.

Gosto das vozes
e dos chocolates.

Gosto dos abraços.
Gosto das minhas saudades.

No Natal
Gosta-se.

Amanhã volto a casa.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Gostamos de nos enganar
com previsões, planos e projectos
quando não sabemos.

Não sabemos.

Gostamos de nos adiar
com obrigações, desculpas e calendários
quando não sabemos.

Não sabemos.

Assobio para o ar.
O melhor quase
Sempre é responder
"Porque me apetece".

É que não sabemos.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Passei pelos lugares que fizemos
Nossos.

(e sorri)

Ainda me lembro.
Ainda cá estamos.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Há qualquer coisa de trágico
quando deixa cair

Os Dedos

sem esforço,
como se já soubesse.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

(cliché)

Encontra-me às 8
onde a areia é só minha
e tenho um quente morno

Na pele.
E dentro.