terça-feira, 10 de agosto de 2010

O português daquele lado
tem um jeito mestiço
despudorado
sambista.

Tem Vinicius Jobim Chico Caetano e Bethânia
Tem pouca vergonha
Tem delírio e violão.

E as palavras são todas ditas.

Ninguém fala estrangeiro
mas a gente se comunica.

Por isso que se lixe o acordo
e o Antônio que continue escrevendo
no mesmo tom
abrasileirado
sujo
gostoso.

domingo, 20 de junho de 2010

Fujo mais cedo.

Deixo os meus bilhetes
as saudades debaixo de cada porta
e vou.

É uma tortura dizer adeus.

Não serei eu a entregar abraços
olhar olhos nervosos
e largar até jás mentirosos.

Tudo tão frágil.
Não. Perde-se demasiado ficando.

Por isso fujo mais cedo.
Como posso.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Quando pensei que ias soltar mais uma das tuas barbaridades
dizes-me:

"I'm the one who put the rock n roll in your life"

A última das verdades universais.

sábado, 22 de maio de 2010

Acordei com ideias de fazer uma revolução

navegar navegar


Pegar nos cravos nas bandeiras e no jeito

e fazer tudo outra vez.


Vemo-nos no Carmo

um dia destes.

terça-feira, 30 de março de 2010

Anda cá
vou fazer-te
uma canção.

A guitarra está aí
e não precisamos de flores nem lua
(patetices)

Anda cá
ouve-me desafinar
e não te rias.

Este bocadinho
cheio de dois acordes
licor
e um beijo

é toda a arte que posso
esta noite.

Anda cá.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Não será nossa
A Balada da Inocência.

Viemos nus e desfeitos
encravados em dor
entre fúrias

E atacámo-nos.
Sem choro
Sem riso
Sem grito

descontroladamente sem nada

até nos esgotarmos
até sermos outros.

Nunca será nossa
A Balada da Inocência.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Quero esconder o que não te digo
num poema
assim, cantado à primeira
num post-it sem rimas.
Disparatado.

Lê
que este poema
é o nosso
e não quer palavras.

Como tu sabes.